a História

Faz mais de cento cinquenta anos, no que agora é o magnífico bairro da Recoleta, só se contavam umas poucas casas (nada de mansões ou palacetes), o convento pertencente aos monges Recoletos e uma bela Igreja a cuja sombra descansavam os cadáveres dos indigentes. A poucos metros, nas barrancas que davam ao Río de la Plata, estacionavam-se as carretas que levariam à elite do sul da cidade, San Telmo, até seus campos de verão situados em paragems então longínquos: Olivos, San Fernando ou.

El Tigre. Entre o bulício das lavadeiras e as brigas dos cuchilleros se erguia edificação que, segundo gravados da época, pôde ser o primeiro lugar gastronômico da zona; o mesmo lugar onde hoje está La Biela.


Mas viajemos um pouco mais atrás no tempo. Em 1732 não tinha nada. Só quintas esparramadas às que se chegava através da Calle Larga (rua longa), que não se parecia em absoluto à atual e elegante Avenida Quintana. Nesses paragems "réus" e de facas rápidas se instalaram os frades recoletos, junto à Igreja de Nuestra Señora del Pilar, que se terminou de construir em outubro desse mesmo ano. O cemitério era administrado pela Igreja, e como parte de uma analogia perfeita, com o tempo foi ascendendo socialmente ao igual que o bairro, até converter-se num dos mais tradicionais de Buenos Aires. Em 1810, enquanto frente ao Cabildo ( conselho de cidade ) se desatava a Revolución de Mayo ( revolução de maio ), os terrenos que hoje ocupa La Biela pertenciam à Virreina Vieja (Virreina Velha), Doña Rafaela de Vera y Pintado viúva de Joaquín Del Pino, quem fora Vice-rei do Río de La Plata entre 1801 e 1804. A Virreina Vieja ocupou estes terrenos até seu falecimento, ocorrido em 1816, segundo consta na placa localizada no frente do local.


O tempo seguiu seu curso. A peste provocou o êxodo do bairro de San Telmo, cujos vizinhos se foram instalando progressivamente na Recoleta. Mas ainda por então, rodeando o cemitério que já começava a cobrir ao mais ilustreda sociedade, o bairro manteve a fisionomia de grandes cortiço ondeos homens e mulheres de reputação duvidosa coabitaram.


Por suas ruas, os ciganos, violonistas, proxenetas e ladrões continuaram liberando as tremendas batalhas até a metade do século XX.


Do pulpería do “Vasco” (basco) Michelena até a coquete Confitería La Biela muitos anos passaram, e esta esquina era testemunha e cenário da parte grande do história viva de Buenos Aires. Atrás ficóu aquela pequena barra minúscula para a qual seu proprietário espanhol batizou “La Viridita”, compôs por uma calçada estreita com só 18 mesas. E atrás ficóu também “Aerobar”, nome que recebeu durante alguns anos em homenagem para os pilotos civis vizinhos que residiram pela rua.

 

 

E para 1950 a história volta a dar outra volta de porca. Por então, um grupo barulhento de adoradores da velocidade, após esgotar a paciência alheia, foi expulsado do lugar que frequentava para suas reuniões. E que melhor idéia do que dissipar o mau momento com um lanche “e procuramos um novo lugar para recalar”. A aventura foi curta para um deles já que a biela de seu auto disse basta na esquina de Junín e Quintana. “Bitito” Mieres se baixou de seu carro e reuniu a seus colegas, Jorge Malbran, Ernesto Torquinst, e outros, assentando-se neste pequeno bar ao que baptizaram “LA BIELA FUNDIDA” primeiro, e logo simplesmente como “LA BIELA”, nome com o que se fez mundialmente famoso e que é uma marca registrada pela concorrência dos amantes do automobilismo.


A Associação  Argentina  de Automóveis Sportnão tinha sede, e então estes fanáticos do volante lhe diziam à La Biela “A Secretaria”. Logo, sucessores daquele primeiro grupo como Charly Menditeguy, Rolo Alzaga, Eduardo Copello, Gaston Perkins e muitos mais, foram testemunhas e protagonistas da moda mais terrível que encheu as calçadas de Quintana, Ayacucho e Alvear: as “PICADAS”, (carreira na carro pela rua) monstro ruidoso, provocador de adrenalina e curiosidade dos anos sessenta.

A partir de aqui a história é conhecida. A  inclinação “tuerca” (porca, apodo para fãs do corridas do carro) fica representada nas paredes da La Biela e o lugar é coincidido por ilustres personagens, adquirindo fama mundial. Suas mesas foram visitadas por infinidade de turistas, políticos, empresários, desportistas e muitos mais. Personagens com poder Real ou Democrático, como os Reis de Espanha ou os Premieres de vários países. Artistas da qualidade de Adolfo Bioy Casares, Ernesto Sabato, Jorge Luis Borges, Julio Cortázar, Joan Manuel Serrat, Joaquin Sabina, Facundo Cabral, Pérez Celis. Atores e atrizes de todos os meios. Pilotosde Fórmula 1 de distintas épocas, como Jackie Stewart ou Emerson Fittipaldi. Futebolistas famosos... Em fim, a lista é interminável.


Outra placa de bronze colocada na entrada nos informa que no ano 1999, La Biela foi declarada “Lugar de Interesse Cultural” pela Legislatura da Cidade de Buenos Aires. Motivos não faltam. Ao dito podemos somar as fotografias autografiadas por José Froilán González ou Clay Regazzonni, um desenho feito a mão por Fabrizio Ferrari, neto do “Commendatore” Enzo Ferrari, quando era uma criança, um  quadro  doado pelo último descendente da família Lamborghini onde se vê o auto mais luxuoso da marca, e mais. Os exemplos mais recentes: a visita do famoso diretor de cinema Francis Ford Coppola, cuja primeira saída noturna em sua visita a Buenos Aires foi à La Biela (Diário Ambito Financiero, 19 de Agosto de 2003) e os ditos do ator Robert Duvall aparecidos no suplemento de Espetáculos do Diário Clarín do dia 24 de Agosto de 2003: “Sempre vamos à La Biela, que é meu lugar preferido em todo o mundo. É uma grande esquina, o café, os moços...”.

Assim, o tempo se detém um pouco na febril Buenos Aires quando nos instalamos numa de suas mesas e desfrutamos da excelente gastronomia da La Biela, ao abrigo de sua história viva que nos convoca, envolve-nos e nos deleita.



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Placa conmemorativa

Placa conmemorativa

O vice-chanceler do Instituto, o Sr. Carlos Solla, apresentou uma placa comemorativa para a barra de ícones "La Biela" bairro da Recoleta, no âmbito do "Dia Mundial do Turismo", que foi realizada na segunda-feira 27 de Setembro.

 


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Dia Mundial do Turismo

Dia Mundial do Turismo

Na segunda-feira 27 de setembro, às 10:30. O reitor da Suisse CEPEC, Dr. Carlos Byrle, estará presente no bar emblemático bairro de Recoleta "La Biela"


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La Biela Av. Quintana 600, Recoleta | Buenos Aires, Argentina
(5411) 4804.0449 / 4135 (5411) 4804.0432    www.labiela.com

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